Culinária

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06 de julho de 2012 • 12h15 • atualizado às 17h44

"A idade não tem limite", diz Palmirinha antes de estreia aos 81

Prestes a estrear seu novo programa no canal pago BemSimples, Palmirinha falou sobre a trajetória de sucesso que a transformou na vovó mais querida da culinária brasileira
Foto: Adriano Lima / Terra

Biologicamente, Palmira Nery da Silva Onofre, a Palmirinha, é mãe de três mulheres, avó de seis e bisavó de duas crianças. Na TV, acabou se tornando madrinha de milhares de telespectadores, atentos às suas artimanhas culinárias e encantados com o seu jeito simples, que se revela em tudo – nas roupas, no jeito de falar e na quase inocência ao mencionar o próprio sucesso. “Estou ansiosa!”, diz a respeito da estreia do primeiro programa só seu, o novo Programa da Palmirinha, que vai ao ar no próximo dia 11 pelo canal de TV a cabo BemSimples, da Fox.

Como receita de estreia, sonhos. Não por acaso, pois o trocadilho com o nome do doce tem tudo a ver com uma das passagens da vida desta senhora de 81 anos, que vende saúde e bom humor. Foram os sonhos de Palmirinha que pagaram o uniforme das filhas, quando estudavam em horários diferentes e dividiam o mesmo blusão. Quando uma delas mudou de horário, os sonhos entraram em ação.

Graças ao carisma, ao jeito humilde e às mãozinhas mágicas que preparam pratos maravilhosos, ela cresceu dentro da culinária, sendo descoberta até mesmo quando não fazia muita questão de aparecer. Fala com os olhos, com as mãos e com o coração. Chora, ri. Agradece à imprensa, que sempre a atendeu; aos patrocinadores, que acreditam na sua imagem; e, sobretudo, às “amiguinhas”, forma carinhosa como chama as suas telespectadoras.

Tem a memória boa: lembra, com nitidez, da época em que “nem sabia o que era Ibope”. E mostra que mesmo agora, que conhece o conceito que mede a audiência, ainda é movida por amor. Prestes a lançar a sua própria marca de utensílios, a culinarista abriu pela primeira vez para a imprensa, e com exclusividade ao Terra, as portas da sua recém-inaugurada cozinha-estúdio, no mesmo bairro onde vive, Vila Mariana, na capital paulista.

A entrevista exclusiva contou com os olhos atentos e cúmplices do boneco Guinho, que na verdade é Anderson Clayton, ator e parceiro de jornada há 12 anos. Confira os melhores trechos desta conversa.

Terra: Quando a senhora soube que cozinhar seria a sua profissão?
Palmirinha:
Eu acho que foi desde os 5 anos. Meu pai e minha mãe foram fundadores de Bauru e o primeiro hotel da cidade foi da minha mãe. Ela colocava um banquinho para eu ir mexendo, naquela época era fogão à lenha. Eu me lembro desde que tinha 3 anos o que ela fazia. O queijo que ela fazia e meu pai tirava leite da vaca, a manteiga que ela batia, os doces de abóbora, de mamão, então foi isso que me fez gostar de culinária e de comida. Depois, aos 6 anos, eu vim para São Paulo, e uma senhora francesa acabou de me criar. Ela também cozinhava muito bem. O primeiro doce que eu fiz foi o pudim de leite condensado. Aprendi com ela as receitas mais sofisticadas.

T: O que a senhora mais gosta de cozinhar?
P:
Eu gosto de fazer de tudo, mas o que eu mais gosto de fazer é massa para pão, para lanches, bolo. Por a mão na massa mesmo. E foi isso que acho que deu resultado na minha vida, porque aí me dediquei à culinária, fazia jantares, congelados, festas de casamento, de aniversário. Fui convidada para ir à Silvia Poppovic e levei uma cestinha cheia de empadinha. Pedi para colocarem no camarim, porque eu gosto de presentear as pessoas. Só que quando ela terminou a entrevista comigo falou ‘olha o que a Palmira faz. Ela faz jantares, faz coquetéis, faz tudo”. Foi quando virou esse auê! A Record me chamou, depois fiquei quase 6 anos com a Ana Maria (Braga), a Gazeta me contratou, e me deu um programa. Uma coisa puxou a outra.

T: Quais são seus principais macetes na cozinha, coisas que a senhora não abre mão?
P:
Pau de macarrão antigo, daquele de madeira mesmo, porque é o melhor para trabalhar; colher de pau, pano de prato muito limpo. Mão sempre limpa, nunca uma unha grande ou pintada com esmalte vermelho. Passar uma imagem de limpeza, isso é muito importante.

T: Se a senhora não fosse culinarista, o que gostaria de fazer? Consegue se imaginar em outra profissão?
P:
Faxineira, porque eu adoro uma limpeza. Não gosto de nada sobrando em cima da pia.

T: Quais são os pratos mais elogiados pelos seus filhos e netos?
P:
O Rafael (neto) pede cocadinha e a carne louca. Agora o André (neto), toda vez que ia passar férias comigo, ele falava “vó, faz o bolo melecado?”. O bolo melecado é um bolo de chocolate, aquele bolo brigadeiro. Minhas netas adoram meus salgadinhos. Elas falam: “vó, eu vou em festa, mas não é igual ao da senhora”.  

T: Qual o prato que a senhora mais gosta?
P:
É o frango com polenta, que eu parei porque engordei muito. Adoro aquela polenta molinha, com uma salada de agrião. E também adoro macarrão, de qualquer jeito.

T: Quais são seus ídolos na cozinha?
P:
Olha, eu me inspirava muito no Benjamin Abrahão (fundador da padaria de mesmo nome, em São Paulo, e falecido em 2001). Quando ele ficou doente, eu me lembro até hoje. Fico até emocionada (com os olhos marejados). Fui um dia, ele beijou minha mão e falou “vai com Deus, minha filha, você vai ter muita sorte”. No dia seguinte ele faleceu. Eu nem contei isso pra você né, Guinho? E quando eu estava na Gazeta, ele me ensinava muita coisa. Porque éramos humildes. Fui muito humilhada pelas pessoas que faziam culinária. Eu sofri muito com a minha mãe, mas tem coisas que ela falava que eu me lembro até hoje. “Nunca se esqueça do sofrimento que você passou, mas não fica remoendo para sofrer tudo novamente”. Eu acho que é por isso que eu não passei todo esse sofrimento que eu tive para outras pessoas. Todo o carinho que eu não tive, eu dei para as pessoas.

T: Falando um pouco sobre a sua trajetória na TV, quais foram as pessoas que mais persistiram para que a senhora insistisse nesse caminho?
P:
Quem insistiu fui eu mesma. E a Ana Maria me ajudou porque na Record eu não ganhava nada, era uma troca que a gente fazia. Às vezes, a gente podia falar, às vezes, não podia. Ela me dava espaço, coisa que ela não dava pra ninguém. Quando eu terminava de fazer minha culinária, ela falava assim pra mim: “não, primeiro você vai falar pra onde você vai e o que você vai fazer". Eu contava as minhas histórias, as passagens da minha vida. Naquela época eu nem sabia o que era Ibope. E no meu dia o Ibope era o mais alto da Record, né? Então, quem é minha madrinha pelo meu “Palmirinha” é ela, porque eu chamava ela de “Aninha” e ela falou “como você me chama de Aninha, vou te chamar de Palmirinha”. E ficou! Ela tinha muito carinho, e ainda tem, no meu aniversário ela até mandou parabéns pelo programa, né Guinho?

T: De onde a senhora tirou o apelido “amiguinhas” para as suas telespectadoras? Foi a senhora que inventou?
P:
Eu que inventei. Quando entrei na Gazeta eu não sabia o que eu ia fazer, e o meu diretor disse para eu fazer o que eu quisesse no programa. Então eu contava minha história, pedia música, mexia com meus cameramen, eu chorava, eu ria, então eu montei aquele programa.

T: De onde surgiu sua amizade com o Guinho?  E qual a importância de tê-lo como parceiro de programa e da amizade de vocês fora das telas?
P:
Quando eu fui para o programa ele já estava lá. E ele foi para minha cozinha. Foi como a gente se encontrou. Já faz 12 anos. É por isso que eu não fui para outros programas que me chamavam. Eu sempre falava assim: “meu boneco não vai? Então eu não quero”. Eu quero meu boneco junto, porque senão não seria eu. E a Fox eu não precisei nem falar, eles já tinham a ideia de levar o Guinho.

T: O que a senhora mais gosta em trabalhar na TV?
P:
Gosto de ensinar as pessoas e mostrar para elas que depressão você só entra se você quiser, porque você pode lutar contra a depressão. A idade não tem limite, você vê que a Hebe está com 80 e poucos anos e está aí. E a Palmirinha também, com 81 está aí na ativa! Então eu acho que é isso. Quando eu estou na TV, não estou pensando em mim. Não estou querendo aparecer, estou querendo ensinar as pessoas.

T: E hoje a senhora se sente preparada para estar à frente do seu programa?
P:
Estou ansiosa! Estou fazendo com o maior carinho, e estou atendendo a um pedido das minhas amiguinhas.

T: A senhora falou muito das roupas que usava, que eram muito simples. A senhora mudou um pouco do seu estilo por causa da TV ou continua usando as peças que escolhe?
P:
Continuo usando. Na Fox eu estou um pouquinho mais chique, mas eles se preocuparam em me dar roupas que eu me sinto bem, senão não sou eu. E também não gosto de maquiagem, meu cabelo eu que gosto de mexer. Não pinto, ele é natural. A única coisa que faço sempre é uma permanente para ficar fofinho.

T: A senhora não vai se aposentar tão cedo, né?
P:
Acho que não, né? Vocês não deixam! E também quero que meu boneco fique bem, porque ele é uma pessoa muito especial para mim (se emociona novamente ao falar do parceiro Guinho).

T: Quer deixar uma mensagem para as suas amiguinhas?
P:
Para as minhas amiguinhas, eu quero agradecer o carinho de todas elas, todo mundo que está comigo, na Internet, no Twitter e aquele outro, como é que chama? (pergunta para o Guinho) Facebook! Queria agradecer muito à imprensa e deixar meu agradecimento para todo mundo.

T: Qual é o segredo para a senhora ser tão querida?
P:
Agora você me pegou! Essa pergunta eu vou ficar devendo para você, pergunta para as minhas amiguinhas!

Terra