Culinária

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07 de agosto de 2012 • 17h40 • atualizado às 17h42

Aguardente, pinga e cachaça: descubra as diferenças entre as bebidas

Apesar de popularmente diferente, pinga e cachaça são a mesma coisa. Enquanto aguardente é um outro produto, com um grau alcoólico mais elevado
Foto: Getty Images
 

Aguardente, cachaça e pinga: é tudo a mesma coisa? A história não é bem assim e a diferença entre elas não está simplesmente na nomenclatura que carregam. A aguardente de cana de açúcar, muitas vezes, recebe o nome de cachaça erroneamente. O que difere as duas bebidas é basicamente o nível de graduação alcoólica, que é definido na hora da destilação. No entanto, o processo de fermentação das bebidas é o mesmo.

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“Aguardente é o destilado feito da fermentação do suco de caldo de cana de açúcar, com graduação alcoólica entre 38 e 54%”, explica Jairo Martins da Silva, autor do livro Cachaça: o mais brasileiro dos prazeres. A cachaça, por outro lado, é o destilado feito do caldo da cana de açúcar, com graduação alcoólica entre 38 e 48%. Sendo ssim, toda cachaça é uma aguardente de cana, mas nem toda aguardente de cana é cachaça.

Outra diferença entre a aguardente e a cachaça é a quantidade de açúcar das duas bebidas. “Quando se adiciona açúcar acima de 6 g/litro, a aguardente não pode ser mais chamada de cachaça e adota o nome de 'aguardente de cana adoçada'”, explica o engenheiro, que se autointitula cachacista, uma espécie de sommellier das cachaças. Já quando o assunto é pinga, a questão muda. Cachaça e pinga são a mesmíssima coisa. E o que as difere é apenas o nome. Cachaça, que  tem origem na palavra espanhola “cachaza” – que designava o mel de borras obtido durante o processo de produção do açúcar, é o nome oficial e pinga é o apelido popular.

“Em meados dos anos 1600, a produção e a comercialização da cachaça foram proibidas pela Coroa Portuguesa. O motivo era a concorrência que ela estava fazendo com os vinhos portugueses e com a bagaceira (destilado português feito de casca de uva). Com a proibição, vários alambiques começaram a produzir e a vender  cachaça clandestinamente, com outros nomes. Daí surgiram novos vocábulos e expressões para denominar a cachaça e enganar os portugueses: pinga, branquinha, Paraty, água que passarinho não bebe, incha pé, entre outros”, completa Jairo. Com a criatividade do brasileiro, estima-se que haja mais de 600 apelidos para a bebida tipicamente nacional.

No processo de fabricação da cachaça há dois tipos de equipamentos usados na destilação: o alambique e a coluna. A escolha de um ou de outro vai depender da escala de produção. O alambique é utilizado para produções em pequena e média escala, enquanto a coluna é usada para a produção em grande escala. “Algumas pessoas tentam diferenciar os destilados feitos através de um processo ou de outro. Devido ao fato de a destilação em alambiques exigir mais a presença do mestre alambiqueiro, muitos classificam a cachaça obtida como 'artesanal'. Como os dois processos de destilação são diferentes, os destilados apresentam características sensoriais diferenciadas, porém, nos dois casos, o produto final é cachaça”, finaliza. 

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