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Aprenda a fazer o clássico coquetel Bellini

10 jun 2009
17h23

Muitos falam do Bellini, o clássico coquetel que leva suco da polpa de pêssego branco e prosecco (espumante italiano). Comenta-se dele principalmente motivado pelos famosos que passaram pelo balcão e mesas do Harry's Bar, em Veneza, onde em 1945 Giuseppe Cipriani criou o famoso coquetel, batizando-o com o nome Bellini três anos depois. A lista de ilustres frequentadores de fato é enorme: Ernest Hemingway, Arturo Toscanini, Charles Chaplin, Winston Churchill, Sumerset Maughan, Marcelo Mastrianni, Humphrey Bogart, Lauren Bacall, Pablo Picasso e Truman Capote, entre tantos outros.

Bellini é um clássico da coquetelaria
Bellini é um clássico da coquetelaria
Foto: Getty Images

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Além dos famosos que frequentaram o Harry's e apreciaram seus Bellinis, outras curiosidades em torno desse mítico coquetel faz dele uma bebida ainda mais especial.Segundo diferentes fontes, o nome Bellini foi dado ao coquetel em homenagem a dois diferentes pintores venesianos renascentistas. Uma fonte indica Jacopo Bellini (nascido por volta de 1400 e morto em 1470). Outras fontes indicam o pintor Giovanni Bellini (1436-1516) como inspiração para o nome do coquetel. Pouco importa de fato quem está correto. A confusão parece mais interessante que o acerto.

Na verdade, Giovanni Bellini era filho de Jacopo Bellini, que além de seu pai foi seu tutor, ensinando as principais técnicas da pintura gótica e do baixo renascimento. Jacopo Bellini alcançou fama em seu tempo, mas foi Giovanni, seu filho, quem transcendeu os limites de Veneza. Como bom aprendiz, Giovanni superou seu mestre, entrando para a história da arte de maneira mais definitiva que seu pai. Coube a Giovanni Bellini ser precursor das técnicas de pintura a óleo no renascimento italiano, abandonando a têmpera como veículo para os pigmentos. A mudança possibilitou uma exploração de luzes e transparências em sua obra que tornou-se referência entre outros tantos artistas que passaram pelas suas oficinas e suas orientações, dentre os quais ninguém menos que Ticiano, por exemplo.

Mais do que a aparências luminosa de um coquetel, Ciprianis e Bellinis têm em comum na tragetória de família o legado de uma profissão. Giuseppe Cipriani era bartender no Hotel Europa, em Veneza, tendo como um de seus clientes regulares Harry Pikcering, um abastado jovem americano que se hospedava por um longo período no hotel. Ambos tornaram-se próximos. Durante a Grande Depressão americana de 1930, Harry se viu em apuros financeiros e forçado a pedir uma soma de dinheiro emprestado ao seu confidente e amigo do outro lado do balcão, a fim de saldar suas dívidas no hotel, prometendo quitar a dívida com o amigo ao retornar da América. Meses depois, já tendo dado o dinheiro do empréstimo como perdido, Giuseppe foi surpreendido com o retorno do jovem Harry que não só devolvera o dinheiro que tomou emprestado, mas ainda ofereceu sociedade na abertura de um bar em Veneza. Ele entraria com o dinheiro, e Giuseppe com trabalho. A única condição seria que o bar teria seu nome. Em maio de 1931 foi inaugurado o Harry's Bar, na San Marco, 1323 em Veneza.

O Harry's original tinha um pequeno salão de 5 por 9 metros, e um ambiente simples, confortável e acolhedor que logo prosperou. Os anos passaram, e à exemplo Jacopo Bellini, Giuseppe também foi sucedido por seu filho, Arrigo Cipriani, que deu novo impulso para os negócios que hoje, além de mais um andar na casa original de Veneza, possui endereços em Porto Cervo, Londres, Hong Kong, Nova York, Los Angeles, Miami e Las Vegas. De um salão de 54 metros quadrados, a família Cipriani hoje está na 4ª. Geração à frente de um conglomerado que compreende meios de hospedagem sofisticados como clubs, restaurantes, bares, ressorts, e serviços de eventos em diversos endereços pelo mundo.Portanto, quando pedir um clássico Bellini, lembre-se de duas coisas: exija sempre ingredientes de primeira, pois esse clássico nasce do cuidado e da sofisticação atenta de um homem, e principalmente, lembre-se que você está tomando uma importante parte da história da coquetelaria em sua taça.

Veja a seguir a receita do Bellini:
A receita que consta no guia da Intenational Bartenders Association (IBA) não estabelece o tipo de espumante ou vinho frizante branco seco que deve ser adicionado no coquetel, mas é sabido que seu criador usava somente prosecco de qualidade. Assim como você não colocaria alcool misturado à gasolina de sua Ferrari, sugiro usar um prosecco no seu Bellini, e um de qualidade, mesmo que custe um pouco mais.

Bellini
Ingredientes:
- 10 cl de prosecco
- 5 cl de purê de pêssego branco

Modo de preparo: Em um processador bata meia colher de chá de suco de limão com um pêssego branco com casca, retirando apenas o caroço. Coloque os 5 cl de purê em uma flute, e adicione lentamente o prosecco gelado, mexendo vagarosamente (para a espuma não subir) com uma bailarina (colher longa de coquetel) para homogeneizar a mistura. Pode ser decorado com uma fatia de pêssego. Dale DeGroff, considerado na atualidade o rei dos coquetéis, sugere que a mistura seja feita em um copo de coquetelaria de vidro (mixing glass), e depois coada em uma flute. Na dúvida experimente dos dois modos! Saúde!

Fonte: Especial para Terra

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