Culinária

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07 de agosto de 2012 • 06h04 • atualizado às 12h11

Fezes de mamífero aromatizam o café mais caro do mundo

O Kopi Luwak, considerado o café mais caro do mundo, conta com grãos que foram digeridos por um mamífero chamado civeta
Foto: Getty Images
 

Uma receita original que contém fezes de um pequeno mamífero, a civeta, alimentada com grãos de café, é usada na Indonésia para elaborar o Kopi Luwak, considerado o café mais caro do mundo.

A origem da produção do Kopi Luwak (café de civeta, em indonésio) é ainda um mistério. Porém, o processo, realizado principalmente nas ilhas de Sumatra, Java e Bali, se baseia em alimentar os animais com os frutos das plantas de café e depois recolhê-los das fezes do mamífero. Depois é realizada a limpeza dos grãos, que serão tostados e moídos.

"A civeta não chega a digerir todo o grão de café maduro, as enzimas de seu estômago o modificam e fornecem características que o tornam único", explicou à Agência Efe Dwija Wati, de uma produtora de Kopi Luwak do norte de Bali. O metabolismo do mamífero é capaz de aproveitar a polpa da baga, mas a semente não é digerida e então é devolvida, mais rica, à terra.Wati acrescenta que a civeta tem "essa capacidade especial, por isso o processo não pode ser feito com outros animais".

O ritmo de produção é lento. Cada civeta é capaz de digerir por dia uma média de 25 grãos e essa é a razão principal pela qual o quilo de Kopi Luwak custa US$493 na Indonésia e ainda mais fora do país."O resto dos custos é baixo, pois encontramos as civetas na floresta, as trazemos para a plantação e as alimentamos com café e fruta, mas precisam de muito tempo para produzir 100 gramas", detalhou Wati.

Rodeados de terraços de arroz e templos hinduístas, mais de 25 cafezais do norte da ilha de Bali se dedicam a produzir Kopi Luwak. Apesar disso, segundo a especialista, a produção total nacional não chega nem aos 1500 kg. No passado, os produtores recolhiam os sedimentos das civetas na floresta, no entanto, há alguns anos a maioria conta com fazendas onde mantêm os animais enjaulados, uma medida que propiciou o sucesso deste tipo de café.

Para que os visitantes compreendam o difícil processo que há por trás de sua xícara de café, muitas fazendas permitem visitas às civetas.Os visitantes podem alimentá-las, contemplar os sedimentos cheios de grãos de café e observar o processo de limpeza e de tosta."Deste modo, apreciam melhor nosso trabalho", disse.

O café, de forte aroma e intenso sabor com pitadas de caramelo e baunilha, faz sucesso entre os paladares mais apurados dos países europeus, Japão e dos Estados Unidos. No entanto, na Indonésia não faz muito sucesso entre a maioria dos consumidores.

Embora o principal mercado continue sendo o local, quase todas as empresas procuram aumentar sua exportação. No país uma xícara custa cerca de US$ 6, enquanto nas capitais de outros países do mundo seu preço oscila entre US$74 e US$123.

Gusti, um hoteleiro da cidade balinesa de Ubud, explicou à Efe que o café "é caro demais" para os salários indonésios. Por isso, a maioria das cafeterias do país não o oferece a seus clientes. Além disso, a bebida é considerada muito forte para o paladar da região."Ao contrário dos estrangeiros, os indonésios preferem comer pimenta e beber doce. Eu prefiro tomar café mais normal, para mim é amargo demais", argumentou.

EFE