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Se para alguns, geladeira vazia é motivo para passar fome, para o jovem chef Marcelo Schambeck, proprietário do Caffe del Barbiere, no centro de Porto Alegre, isso não é exatamente um problema. Com criatividade e bons temperos na horta caseira, ele inventa pratos e o executa em 30 minutos.
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Ao receber o Terra na cozinha da sua casa e ser desafiado a fazer um prato somente com alimentos que tivesse na geladeira e nos armários, Schambeck decidiu o menu em menos de 30 segundos. Pensou um pouco e disse: "não tenho muitas coisas, pois não comemos em casa". Mas em seguida, abriu o freezer e retirou uma linguiça artesanal de tomate seco e provolone - feita por Leonardo Magni, ex-colega de faculdade. "Ele e a namorada fizeram uma pós na Argentina e uma das cadeiras era sobre embutidos. Eles adoraram e, quando voltaram ao Brasil, começaram a fazer essas linguiças."
"Salvo" pela linguiça congelada - não utilizada no churrasco familiar do último domingo -, Schambeck perguntou à mãe, que acompanhava à distância os passos do filho: "Tem cebola?" Diante do gesto positivo, abriu a geladeira e tirou uma pequena. Aproveitou ainda para pegar um tomate e tratou de colocar a linguiça congelada no microondas para apressar o processo.
Em seguida, pegou um pote plástico com a erva-mate, a mesma que tinha utilizado para fazer o chimarrão minutos antes. A erva, comprada em um mini-mercado no bairro Bonfim e preparada pelos próprios proprietários, é considerada especial pelo chef. "Ela é seca no fogo e, com isso, fica com cheiro e gosto de defumada. É muito boa". A erva foi utilizada para ele fazer a farofa para acompanhar a linguiça.
Enquanto cozinhava, Schambeck recordou os passeios gastronômicos que fez em sua última viagem ao Uruguai. "Queria ir a biboquinhas (restaurantes simples, fora do circuito conhecido) para conhecer a cultura do País." Mas como não foi só a gastronomia do país vizinho que apaixonou o chef: nas próximas férias ele voltará para buscar inspiração uruguaia e aproveitar para surfar no balneário de Punta Del Diabo.
Para ele, que adora um bom assado de carne, comer em restaurantes é fundamental para obter ideias para a sua culinária. "Hoje o que está bem na gastronomia de muitos chefs é a cozinha espanhola, que é contemporânea. Gosto também da gastronomia gaúcha e de usar os nossos ingredientes."
Na ânsia de experimentar novidades, Schambeck confessou que já errou ao fazer o pedido e deu uma dica. "Em restaurantes, o legal é pedir uma sugestão ao chef. É válido perguntar o que está bom naquele dia. Só ele vai poder dar a dica do que realmente está bom. Às vezes, a gente pede o prato mais elaborado, mas como não tem muito saída, (os cozinheiros) não sabem fazer muito bem", afirmou.
O chef disse que não há limites para gastar com comida em restaurantes. "Estou ali pelo trabalho, tem de investir. É como comprar livro", afirmou o gaúcho, que também garante ser um amante de vinhos. Entretanto, apesar de amar provar novidades, Schambeck não dispensa um arroz com feijão quando, em raras vezes, come em casa.
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