Aprenda a alcoolizar seu chimarrão

Daniel Favero
Direto de Porto Alegre
atualizado às 15h48
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Os gaúchos mais tradicionalistas consideram uma verdadeira heresia mudar a forma de fazer churrasco ou servir chimarrão. No entanto, é possível apresentar novas e bem-sucedidas receitas para esses dois clássicos. O mixologista Nelo Forti dá dicas de como fazer um chimarrão alcoolizado que, segundo ele, recebeu elogios no piquete montado pela Natu Nobilis no Acampamento Farroupilha de Porto Alegre.

Parte da tradição gaúcha, o chimarrão ganha nova cara com a adição de uísque em uma receita especial
Parte da tradição gaúcha, o chimarrão ganha nova cara com a adição de uísque em uma receita especial
Foto: Divulgação

"Com o chimarrão, você não pode botar o uísque direto. O ideal é fazer um chá de capim limão. Em uma outra chaleira, você ferve o uísque com cravo, risca um fósforo para evaporar o álcool (por uns 5 minutos)", explica Forti. "Se você serve esse primeiro álcool, ele vem muito forte", afirma. Para servir, basta misturar o chá com esse uísque, colocar em uma garrafa térmica e servir como chimarrão normal.

O amargo do chimarrão tradicional, nesta receita, dá lugar à suavidade do chá, com o gosto amadeirado do uísque no final. "Dá um gosto bem sutil, esquenta o peito, mas o efeito é muito mais psicológico. O gosto fica bem longe, porque ele fica bem diluído em água, o chá é pura água, mas dá um gostinho", afirma Forti.

Costela ao molho de uísque

Forti diz que sua proposta é brincar com elementos tão fortes da cultura gaúcha. Além do chimarrão, ele também elaborou um molho para acompanhar a costela, que no Rio Grande do Sul, é o ápice do churrasco.

"Da mesma forma que tem aquela costela com molho barbecue no (restaurante) Outback, aqui você também pode brincar com molho alcoólico para o churrasco. Quisemos brincar com a costela porque é a comida do gaúcho no churrasco, ele tem todas as outras guarnições, mas a costela não falta na churrasqueira do gaúcho, todo o domingo", explica.

O molho é feito com alecrim e zimbro (uma especiaria indiana usada para fazer gin), que também vai bem com carnes mais fortes e de caça. "O zimbro é refogado com o alecrim em óleo, depois você adiciona mel e mostarda à gosto, daí você decide se quem um pouco mais cremoso ou aguado, e depois você adiciona o uísque quente, esse é o segredo do molho", diz. Segundo ele, o uísque deve ser usado quente na receita, porque só dessa forma funciona bem com a mostarda.

O molho não leva sal, uma vez que a costela já vem salgada. "Tem o gosto apimentado da mostarda, o refrescante do alecrim, o amargo do zimbro e a doçura do mel. Então juntamos quatro sintomas diferentes no mesmo paladar (...)  você larga o molho em cima e é só degustar".

Terra

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