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Primavera: veja vinhos para beber nesta estação "meio-termo"

Os diversos tipos de vinho podem ser harmonizados na primavera, basta saber selecionar o ideal para a ocasião
Foto: Getty Images
 

No Brasil, o vinho ainda está muito ligado ao inverno, mas essa bebida pode combinar com qualquer época. E, para a primavera, com as temperaturas subindo, porém com certo frescor e alegria das flores, há uma gama de vinhos que vão ao encontro desse clima: espumantes, brancos, rosés e alguns tintos mais leves. “Quando uma pessoa me diz que não gosta de branco ou rosé, brinco respondendo que cada vinho tem seu momento”, diz a sommelière Rosana Ferreira, formada pela Associação Brasileira de Sommeliers (ABS).

Para a expert, porém, nenhum vinho simboliza tanto a primavera como o rosé.  “Com sua cor exuberante e seu frescor, não pode faltar à mesa, exatamente como na Provence, no Sul da França, o berço do rosé, onde esse vinho harmoniza perfeitamente com o clima ensolarado e a culinária regional, mais leve e alegre.” O rosé tem uma grande vantagem: vai bem tanto com legumes, saladas, peixes e frutos do mar, como com carnes mais leves, grelhados e massas.  Uma boa saída para mesas em que uns preferem peixes e outros, carnes.

Uma dica de Rosana Ferreira é beber o vinho com a receita típica da Provence, que também cai muito bem na primavera: o ratatouille, que ficou conhecido pelo desenho animado de mesmo nome, preparado com berinjela, pimentão, abobrinha, cebola, alho e azeite de oliva.

E para quem vira a cara para os rosés, o sommelier Marcelo Rosa, proprietário da Enoteca O Melhor Vinho do Mundo, em São Bernardo do Campo, lembra que esse vinho sempre surpreende. “Todo mundo já sabe o que esperar de um tinto ou branco, e quando degusta um rosé sempre se surpreende, seja pelos aromas e sabores, seja pela apresentação de sua cor e garrafa - já que os produtores estão investindo bastante nesse tipo de vinho. Nas degustações, sempre é o mais vendido."

Espumantes e vinhos brancos
Espumantes e vinhos brancos são geralmente associados ao calor do verão, e com razão: são leves, têm ótima acidez , muito frescor e devem ser degustados gelados. Mas também podem ir bem com temperaturas amenas, como primavera e outono, dependendo da harmonização. “O ideal é combiná-los com peixes, frutos do mar e saladas”, afirmou Marcelo Rosa.

Ainda em relação aos brancos, uma dica para a sobremesa é o italiano moscato D’Asti, um vinho adocicado e com uma leve efervescência, que harmoniza com sobremesas de frutas frescas. “Minha dica é tomá-lo bem geladinho acompanhado de morangos frescos e maduros”, sugere Rosana.

Tintos?  Por que não?
E quem disse que um tinto não combina com primavera? Esse é outro mito do mundo do vinho. “Se a opção é um tinto, escolha os mais leves, como um vinho da uva pinot noir e os do Sul da França”, ensina Marcelo Rosa.

Originária da Borgonha, a uva pinot noir produz vinhos mais delicados e complexos, tanto no aroma como no sabor, com menos intensidade de cor. Pode ser um pouco mais caro, já que se trata de uva difícil de ser cultivada e não se dá bem qualquer região. Além da Borgonha, a pinot noir se deu bem no Chile, na Patagônia (Argentina), na Califórnia (Estados Unidos) e na Nova Zelândia.
Os vinhos do Sul da França são ótimas opções para a primavera, como os Côtes du Rhône, que são de corte ou assemblage, ou seja, uma mistura de várias uvas. A grande maioria levam pinot noir, grenache, mourvèdre e syrah. Quando o vinho é feito somente com um tipo de uva, chama-se varietal.

Também é possível encontrar vinhos mais leves de outros países, como Argentina e Portugal, que tenham em sua assemblage a uva merlot, que muitas vezes tem o papel de “amaciar” o vinho, e a pinot noir, ambas geralmente associadas às uvas emblemáticas do país produtor - por exemplo, na Argentina é a malbec; no Chile, a carmenère.

Taças
Cada vinho tem um formato de taça que valoriza suas características. Mas hoje em dia a etiqueta está bem flexível, por isso muitos utilizam apenas uma taça grande, como a Bordeaux , para tintos ou brancos.

Se você quer ser mais específico, os brancos devem ser servidos em taças menores, próprias para este tipo de vinho, e em pequenas quantidades para manter a temperatura de serviço baixa.

Os tintos necessitam de taça maior que os brancos. Por terem aromas mais complexos, os tintos pedem um volume maior para se expressarem melhor.

Os espumantes devem ser servidos na taça específica - sempre. É aquela com o corpo mais longo e a boca mais fechada para evitar que se percam as borbulhas rapidamente.

Temperatura
A temperatura de cada vinho é muito importante, pois pode interferir no seu sabor. Cuidado com o conselho “sirva o tinto na temperatura ambiente”. Como nosso clima é tropical, muitas vezes estamos com a temperatura de 21° C numa noite, que não é ideal para o serviço de um tinto. Por isso, é preciso resfriá-lo ou mantê-lo climatizado. Confira as temperaturas ideais:

Espumantes e champanhes secos e doces : de 6° a 8°C
Brancos leves: de 6° a 8°C
Brancos de médio corpo: de 9° a 11°C
Brancos encorpados e licorosos: de 10° a 12°C
Roses: de 6° a 8°C
Tintos leves: de 10° a 12°C
Tintos de médio corpo: de 14° a 15°C
Tintos encorpados e envelhecidos: de 17° a 18°C

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