Culinária

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20 de março de 2014 • 10h11

Recém-aberto no Rio, restaurante espanhol quer ser o mais sustentável do país

 

O Ibérico, um restaurante de culinária espanhola, abriu suas portas neste mês no Rio de Janeiro com a proposta de ser o mais sustentável do Brasil e não apenas por suas tecnologias ecológicas e seus materiais renováveis, mas também por seus projetos sociais e educativos.

O restaurante se propõe também a ser o único de seu tipo no Brasil por sua proposta de comida espanhola "com tradição", ou seja, segundo seus criadores, pela combinação da "tradição" da culinária da Espanha e o desafio "contemporâneo" de "criar algo novo para surpreender o paladar".

"O que o Ibérico propõe é combinar três propostas de sustentabilidade: a econômica, a social e ambiental", disse à Agência Efe o empresário espanhol Antonio Alcaraz, proprietário do Ibérico, ao esclarecer que a maioria dos restaurantes brasileiros que se dizem sustentáveis se limita a adotar soluções ecológicas e não busca soluções sociais.

"A proposta de sustentabilidade ambiental é aplicada na obra que fizemos aqui, na qual adotamos uma quantidade grande de soluções que respeitam o meio ambiente, como um teto verde, a reciclagem de água de chuva e móveis fabricados com material reciclado", acrescentou Alcaraz, já conhecido no setor no Rio de Janeiro como proprietário do Entretapas, especializado em tapas espanholas.

O teto verde, que cobre quase totalmente o restaurante situado no bairro Jardim Botânico, não só dá um estilo próprio ao estabelecimento, mas garante o isolamento sonoro e o ajuda a regular a temperatura, porque ameniza o calor do verão e o frio do inverno.

O Ibérico também conta com um aquecedor de água de energia solar, material reciclado e isolante em suas paredes, equipamentos para aproveitar a água de chuva, lâmpadas de LED de baixo consumo e uma pequena horta na qual o próprio Alcaraz planta as especiarias orgânicas usadas na cozinha.

Para garantir a sustentabilidade econômica, o Ibérico optou por se abastecer com pequenos agricultores, pescadores e produtores do Rio de Janeiro.

"A sustentabilidade social é impulsionada participando de projetos que contribuem no desenvolvimento de pessoas através da gastronomia", explicou Alcaraz.

O Ibérico é um dos restaurantes participantes do projeto "Pouco a Pouco", uma iniciativa nascida em São Paulo, premiada pela ONU e que destina mais da metade do arrecadado pela venda de garrafas de água que o próprio restaurante filtra a um projeto de capacitação em culinária dirigido a jovens de poucos recursos procedentes de favelas.

"O objetivo do projeto, apadrinhado por vários restaurantes, é poder inserir esses jovens no mercado de trabalho e capacitar trabalhadores para o setor da gastronomia", afirmou.

O próprio sistema de venda de água filtrada, "mais pura que a mineral vendida no comércio", contribui ao meio ambiente porque não produz garrafas descartáveis e reduz as emissões de gases geradas pelo transporte de água.

Alcaraz diz desconhecer outro restaurante no Brasil tão sustentável como o Ibérico e esclarece que sua proposta não reduz os lucros.

"O que pretendemos obviamente é fazer negócio. Não somos uma ONG, mas gostaríamos de certa maneira que o Ibérico, como pioneiro, possa ser referência e possa transmitir a outras empresas que é possível fazer as coisas de forma sustentável", comentou.

Quanto à proposta gastronômica, o Ibérico, segundo seu proprietário, oferece os pratos clássicos espanhóis com um toque contemporâneo do chef brasileiro Jan Santos, que dirige a cozinha do Entretapas há três anos e viveu vários anos na Espanha.

Dessa forma, o tradicional ajoblanco andaluz é oferecido em uma versão com amêndoas, coco, atum defumado, geleia de uva e vinagre de jerez, também há o leitão de Segovia com migalhas de pão, além do arroz de Alicante com polvo, camarões e pescado.

"A proposta é oferecer, com um toque atual do chef, os pratos de toda a vida", segundo Alcaraz, que se disse surpreendido pela boa receptividade que o restaurante teve em duas semanas de vida por parte dos degustadores brasileiros.

EFE